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Sinta a música!

Às vezes o dia parece conspirar a seu favor. Você acorda, liga o rádio justamente no momento em que toca aquela sua música preferida. Depois disso, já prestes a tocar no botão que comanda o dial, outra canção que te faz voltar há alguns anos te deixa atônito. Você continua seus a fazeres e quando parece que o momento nostálgico está pronto para dar adeus, outra melodia arrebatadora te faz estremecer…sim, é aquele som que te provoca arrepios! Você desliga o rádio, vai para o trabalho, entre momentos bons, ruins e outros mais ou menos, a vida vai ficando monótona. Passa a observar a folha daquela árvore, que parece dançar lentamente. E você tenta estabelecer alguma conexão sensitiva com aquele momento, é a temível, porém, inevitável volúpia de criar uma racionalidade para tudo, mas não consegue. A vida segue seu curso, e o dia parece, agora, não passar. Os ponteiros caminham lentamente como o dançar daquela folha. O sol vai se despedindo, as estrelas começam a surgir no infinito superior, e você esta ali, imóvel, compenetrado, depois de um dia inteiro simplesmente mais ou menos. Porém, espere… o ser humano é dotado da mais fantástica possibilidade, a de lembrar. A memória, como se tentasse te consolar, faz surgir a imagem de como o seu dia começou, a partir daí, a motivação para seguir em frente retorna ao seu eixo: o dia não foi mais ou menos, pelo contrário, viva a música!

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4 comentários sobre “Sinta a música!

  1. Maíra Lobato disse:

    Realmente a música é uma coisa mágica que tem o dom de nos tirar da realidade em que estamos… a música nos transporta para outros lugares… e atualmente o uso disto tem sido terapêutico!!! Eu que o diga!!! Bom remédio, sem contra-indicações!!! eu recomendo a todos!
    Rafa, parabéns pelo texto! Ficou muito bom! Totalmente excelente!!!
    bjos

  2. João Paulo disse:

    Este momento, então, merece este pequeno poema de um dos mais ilustres escritores portugueses:

    Pobre Velha Música!

    “Pobre velha música!
    Não sei por que agrado,
    Enche-se de lágrimas
    Meu olhar parado.

    Recordo outro ouvir-te,
    Não sei se te ouvi
    Nessa minha infância
    Que me lembra em ti.

    Com que ânsia tão raiva
    Quero aquele outrora!
    E eu era feliz? Não sei:
    Fui-o outrora agora”.

    Fernando Pessoa

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